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A Unafisco Nacional entrevista o associado Walter Miranda de Almeida, de Araraquara/SP, candidato a deputado estadual/SP pelo PSTU. O colega afirma que colocará o mandato à disposição dos colegas para aprovar a LOF. Também diz que se empenhará, caso eleito, pela aprovação da PEC 555/06, entre outras propostas.

Todos os associados candidatos foram convidados a participar desta série de entrevistas. A seguir, as respostas de Walter Miranda.

 

Unafisco Nacional. O que levou o colega a se candidatar?

Walter Miranda. Milito politicamente há mais de 30 anos em partidos e movimento sindical. Não acho que a ocupação de cargos eletivos, por si só, seja a solução para acabar com a crise capitalista, sob o ponto de vista social, que o Brasil atravessa. Acredito mais na organização e luta concreta do dia a dia e na mobilização permanente da classe trabalhadora ativa e aposentada. Entendo, no entanto, que se a categoria tiver cada vez mais representantes eleitos ocupando espaços nas instâncias políticas, será mais fácil dialogarmos e exigirmos nossos direitos enquanto classe organizada. Acredito no refrão da composição do nosso colega Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora e não espera acontecer.” Temos que fazer a hora participando ativamente do processo eleitoral. É esta disposição de luta que me levou à candidatura a deputado estadual.

 

UN. Em nosso quadro associativo há muitos aposentados. O que eles podem esperar do senhor?

Miranda. Sempre estive engajado nas lutas dos ativos e aposentados da categoria. Sempre defendi que os colegas aposentados voltem à ativa nos períodos de mobilizações, greves, etc., deixando de ser inativos. Em 2015 serei mais um aposentado. Discordo, radicalmente, do desconto de contribuições previdenciárias das aposentadorias. Penso ser uma tributação injusta. Por outro lado, penso que os aposentados deveriam ser isentos do pagamento de imposto de renda.

Os aposentados, servidores públicos ou não, pode esperar de mim muita luta, fiscalização radical das aplicações de recursos evitando malversações. Muita luta para viabilizar a proposta do meu partido, o PSTU, de aplicação de 10% do PIB estadual em saúde pública de qualidade, pois os planos de saúde privada têm sido insuportáveis de se manter quando os associados são idosos. Meu mandato será totalmente vinculado às lutas da classe trabalhadora ativa e aposentada.

 

UN. Quais são as propostas do senhor que fortalecem a carreira dos Auditores Fiscais da RFB?

Miranda. Mesmo na condição de deputado estadual, colocarei o meu mandato à disposição dos colegas para aprovação o mais rápido possível da LOF [Lei Orgânica do Fisco]. Também colocarei meu mandato a disposição da luta pela contratação de mais Auditores Fiscais e pela conquista da verdadeira autonomia e independência em relação ao governo, visto que somos servidores do Estado. Também é preciso rever as atribuições do cargo, no sentido de atribuir-nos atividades e funções mais nobres e especializadas, com servidores auxiliares  à nossa disposição  para execuções dos trabalhos burocráticos incompatíveis com a nossa qualificação profissional.

 

UN. Como colocar o Brasil, definitivamente, na rota do crescimento?

Miranda. É preciso, urgentemente, suspender o pagamento da dívida pública (interna e externa), efetuar a auditoria prevista na CF de 1988 e até hoje não implantada. É preciso direcionar esses recursos para incentivo à produção. No ano de 2012 gastou-se R$ 753 bilhões com juros e encargos da dívida pública. Por outro lado  gastou-se R$ 18 bilhões com bolsa família que beneficiou 50 milhões de pessoas. A dívida pública (interna e externa) totalizou R$ 3,72 trilhões em 2012. Em relação ao PIB em 2012 a dívida pública representou 84%, enquanto no ano 2000 era 60%%. Com a financeirização da economia brasileira, banqueiros fazem a festa.

Temos a segunda mais alta taxa de juros do mundo. Como um País pode crescer altamente endividado junto a banqueiros e especuladores financeiros? Como crescer sem investir em educação é formação de mão de obra qualificada e direcionando os recursos para os banqueiros? Como crescer se vemos a juventude se perdendo no consumo de crack, num país que já é o terceiro maior consumidor desta desgraça que acaba com a saúde e com as famílias? As campanhas politicas de Dilma, Aécio e partidos aliados são financiados com recursos dos banqueiros, grandes empresas, empreiteiras e pelo agronegócio. Assim, existe dificuldade para romper com quem os financia.

 

UN. Relacione os valores democráticos à soberania nacional.

Miranda. Eleições democráticas, sem privilégios nas disputas segregando candidatos ricos dos pobres; o Estado bancando a eleição com financiamento público de campanha e punição severa contra quem aceitar ou colocar capital privado na campanha; a verdadeira ordem e progresso não podem ser distorcidos e direcionados para favorecer corruptos e quem tem dinheiro; justiça democratizada sem discriminar quem é pobre e não beneficiando os ricos e desonestos; mais justiça na distribuição das riquezas produzidas no País; valorização da família enquanto núcleo de formação do cidadão, com forte investimento em educação. Sem essas e outras medias importantes no sentido de fortalecer o “ser” ao invés do “ter”, não teremos democracia e nem soberania nacional, sem esquecer a nossa independência em relação ao capital e tecnologia externa.

 

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