A programação do período da tarde de 27/5 da 8ª edição do Congresso Luso-Brasileiro de Auditores Fiscais trouxe o painel Reforma tributária: Como realizar a integração do IBS e CBS? A secretária especial adjunta da Receita Federal, Auditora Fiscal Adriana Gomes Rêgo, apresentou pontos da Reforma Tributária que tratam, especificamente, da integração entre IBS e CBS, bem como entre Receita Federal e Comitê Gestor do IBS.
A integração entre IBS e CBS implica no relacionamento político entre governo federal, via Receita Federal, com o conjunto dos Estados e municípios, via Comitê Gestor do IBS.
A secretária especial da Receita destacou que integração ampla entre IBS e CBS está disposta tanto na Emenda Constitucional (EC) Nº 132/2023, que institui a Reforma Tributária, quanto no Projeto de Lei Complementar (PLP) Nº 68/2024, que a regulamenta. “Toda legislação da Reforma Tributária fala em compartilhamento, integração, sincronismo, ato conjunto e documentos únicos.”
A secretária Adriana Gomes Rêgo disse que a integração entre IBS e CBS é natural porque ambos têm as mesmas regras em relação ao fato gerador, bases de cálculo, hipóteses de não incidência e sujeição passiva; imunidades; regimes específicos; regras de não cumulatividade e creditamento. As diferenças ocorrem, basicamente, apenas na questão do destino.
Para exemplificar essa integração, a secretária citou o sistema do split payment. “Ao vincular o pagamento do IBS com o da CBS, o sistema força a integração do modelo de apuração. Caberá à Receita Federal e ao Comitê Gestor do IBS disciplinar essa vinculação.”
Adriana Rêgo mencionou que, na fase de transição dos impostos atuais para IBS e CBS, a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios terão que adaptar seus sistemas de emissão de notas fiscais com leiaute padronizado e compartilhar documentos fiscais.
O texto constitucional diz ainda que o Comitê Gestor do IBS, a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) compartilharão informações relacionadas ao IBS e CBS. “Se não houver integração não teremos harmonização e teremos mais litígios. Além disso, o Comitê Gestor do IBS e a Administração Tributária da União poderão propor soluções integradas para administração e cobrança do imposto.”
No que se refere aos regulamentos do IBS e da CBS, a representante da Receita disse que as disposições comuns precisarão ser aprovadas por ato conjunto do Comitê Gestor do IBS e do Poder Executivo da União.
“Essa integração também está prevista com a criação do Comitê de Harmonização das Administrações Tributárias, composto por representantes da Receita e do Comitê do IBS; e do Fórum de Harmonização Jurídica das Procuradorias, formado por representantes da PGFN e das procuradorias Estaduais e municipais,” acrescentou.
Por fim, Adriana Rêgo citou que Receita Federal e as demais administrações tributárias poderão utilizar, em seus respectivos lançamentos, as fundamentações e provas decorrentes do processo administrativo efetuado por outro ente. Também poderão celebrar convênio para delegação recíproca de atividade de fiscalização.
Outros participantes. Participou do mesmo painel, o Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais, Ricardo Oliveira. A moderação ficou a cargo do secretário da Fazenda de Mossoró/RN e Auditor Fiscal da Receita Estadual do RN, Edilson Bezerra Junior.
Durante o painel, Edilson afirmou que o objetivo da PLP N.º 68/2024 é simplificar o sistema tributário brasileiro, reduzir a burocracia e aumentar a transparência.
Em sua fala, Ricardo Oliveira ressaltou que a transição dos impostos atuais para IBS será feito em vacatio legis, um período de dez anos para ser totalmente concluída no novo sistema tributário. Ele também destacou a criação de uma Agência Nacional para administrar o novo tributo, com o intuito de centralizar a arrecadação e a fiscalização.
Ricardo também disse que haverá um fundo de compensação para Estados e municípios que, eventualmente, tenham perdas de arrecadação durante essa transição. Na avaliação dele, esta simplificação é uma espécie de desburocratização e salientou sobre a necessidade de simplificar as obrigações acessórias e reduzir os litígios tributários.
Congresso Luso-Brasileiro. O Congresso é realizado pela Unafisco Nacional em conjunto com Associação Nacional das Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) e Associação Sindical dos Profissionais de Inspeção Tributária e Aduaneira (Apit), de Portugal. Nesta edição, a anfitriã é a Associação dos Auditores Fiscais do Tesouro Estadual do Rio Grande do Norte.
Os debates ocorrem, até o dia 29/5, no formato presencial no hotel Wish Natal. Clique aqui para conferir a programação completa.
Leia também:
Presidente Mauro Silva defende transação tributária na Receita Federal
Diretor da Unafisco George de Souza media painel sobre resultados esperados após Reforma Tributária
Comitiva do evento visita governadora do RN
Abertura destaca importância dos debates para implementação da Reforma Tributária
8º Congresso Luso: Especialistas estrangeiros apresentam experiências sobre o IVA e desafios futuros
Encerramento Congresso Luso: Mauro Silva é o novo presidente da Rede de Auditores Fiscais de Língua Portuguesa





