A Unafisco Nacional entrevista o associado Sebastião Braz da Cunha dos Reis, candidato a 2º suplente de senador/GO pelo PSB. Para o colega, a essência de fazer política é “colocar-se à disposição da sociedade para a busca do bem comum”. Reis também afirma que as questões relativas à PEC 555/06 são parte do “compromisso de luta na preservação e recuperação do poder aquisitivo para que [os aposentados] possam viver com dignidade e tranquilidade familiar.”
Todos os associados candidatos foram convidados para participar desta série de entrevistas. A seguir, as respostas de Sebastião Reis.
Unafisco Nacional. O que levou o colega a se candidatar?
Sebastião Reis. A militância nos movimentos populares sempre fez parte de minha vida. Fui presidente do Centro Acadêmico de Engenharia e Presidente do DCE na UFMT. Logo depois, a identificação com a luta dos trabalhadores me levou ao movimento sindical. Em 2001, filiei-me ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 2006, fui candidato a deputado federal e obtive 3.800 votos, sendo o sexto mais votado na coligação PSB/PT/PCdoB. Hoje, sou presidente do PSB em Anápolis/GO.
A indignação com a corrupção generalizada, que destrói a nação, a omissão do poder legislativo se furtando de representar os anseios do povo e o projeto nacional do PSB para eleição de Eduardo Campos me convenceram a participar do processo eleitoral, emprestando o meu nome para concorrer à vaga de 2º suplente ao senado de Aguimar Jesuíno, procurador federal, 401, em Goiás na coligação “Participação Popular PSB/PSC/PRP”. Em síntese, a motivação em participar do processo eleitoral vem da necessidade de resgatar a essência de fazer política, que simplesmente é colocar-se a disposição da sociedade para a busca do bem comum. São valores esquecidos que precisam ser resgatados pela sociedade para o fortalecimento do processo democrático representativo.
UN. Em nosso quadro associativo há muitos aposentados. O que eles podem esperar do senhor?
Reis. A defesa dos trabalhadores é compromisso inarredável de nossa caminhada política e do programa do PSB 40. Eleitos ou não, daremos continuidade à luta em defesa dos direitos conquistados pelos servidores em atividade, aposentados e pensionistas. Temos a consciência que os serviços relevantes prestados pelos trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada proporcionaram o desenvolvimento econômico e social do País, não podendo jamais ser esquecidos. De forma que as questões relativas à PEC 555, fator previdenciário e todas as demais questões que corroem os salários dos trabalhadores, que tanto fizeram para o desenvolvimento da nação, são parte do nosso compromisso de luta na preservação e recuperação do poder aquisitivo para que possam viver com dignidade e tranquilidade familiar.
UN. Quais são as propostas do senhor que fortalecem a carreira dos Auditores Fiscais da RFB?
Reis. A RFB é reconhecida pela sociedade como uma instituição de credibilidade e eficiência na busca dos recursos para o financiamento do Estado. No entanto, a sociedade não conhece a realidade das condições de trabalho e tantas outras demandas reprimidas que os Auditores Fiscais da RFB enfrentam no exercício de suas funções ao buscar os recursos que financiam todas as políticas públicas implementadas pelo governo. São realidades que se contrapõem: ano após ano, a arrecadação aumenta, enquanto as condições de trabalho e o poder aquisitivo dos colegas diminuem. São demandas reprimidas pela inoperância do governo do Partido dos Trabalhadores em responder às questões relevantes para a categoria, que passam pela aprovação da LOF, a implantação da Indenização de Fronteira, a emissão da carteira de identificação do Auditor, bônus eficiência, reajuste da indenização de transporte, auxílio-alimentação e tantas outras.
Todas as propostas de fortalecimento da categoria estão bem alinhavadas e muito bem debatidas internamente pelas entidades representativas: Unafisco Nacional, Sindifisco Nacional e Anfip. O que precisamos criar, de fato, é uma verdadeira interlocução entre governo e entidades representativas, pois a “mesa de negociação” proposta pelo Partido dos Trabalhadores foi simplesmente protelatória nesses oito anos de governo. Com a eleição de Marina Silva, teremos condição de fazer uma verdadeira interlocução, franca e transparente. Acredito ser o caminho para avançarmos no reconhecimento dos valorosos Auditores responsáveis pelo fortalecimento da RFB.
UN. Como colocar o Brasil, definitivamente, na rota do crescimento?
Reis. A desaceleração da economia mundial impactou os países emergentes com a redução do crescimento do PIB, provocando grandes consequências para o desenvolvimento econômico e social. Definitivamente, é quase impossível solucionar o problema do crescimento diante de uma economia globalizada onde não se tem o controle externo, mas podemos fazer o dever de casa que não está sendo feito pelo atual governo. O tema é complexo, trata-se de uma equação com diversas variáveis econômicas internas e externas. Precisamos rever a política monetária de juros elevados que favorecem as instituições financeiras, impedindo o crescimento; e combater a inflação, que tanto corrói os salários e limita os investimentos no setor produtivo.
É necessária a redução da máquina pública, que hoje está estruturada com quarenta ministérios e mais de vinte mil cargos comissionados para atender interesses políticos do governo; enfrentar a corrupção disseminada nos três poderes da União, que sangra os recursos que deveriam ser aplicados em infraestrutura para o desenvolvimento e geração de empregos; promover uma reforma tributária que seja amplamente debatida com toda sociedade; é preciso desenvolver, juntamente com a classe empresarial, um plano para restaurar a indústria nacional, que esta sucateada, incapaz de gerar emprego e riqueza para o País; preservar e incentivar o desenvolvimento do agronegócio com sustentabilidade, que é nossa vocação, pela extensão de terras agricultáveis e férteis existentes.
A rota do crescimento sustentável passa pelo pacto social. Não existe solução mágica. É preciso lembrar que uma nação que carece de um salvador da pátria é uma nação fadada ao fracasso. É urgente que governantes, detentores dos meios de produção e trabalhadores digam: “nós não vamos desistir do Brasil”. É aqui que vamos educar nossos filhos e conviver com nossos familiares. Marina Silva e nós, embalados pelos sonhos do saudoso companheiro de luta Eduardo Campos, acreditamos que o povo brasileiro possui talentos inesgotáveis em todos os setores e que não furtará aos objetivos maiores da carta magna de construir uma sociedade justa, livre e solidária, resgatando definitivamente o Brasil das mãos das velhas raposas políticas fossilizadas no Congresso Nacional.
UN. Relacione os valores democráticos à soberania nacional.
Reis. O processo de redemocratização no Brasil, ocorrido através do movimento “Diretas Já”, é um marco histórico para o início do resgate da soberania nacional. A Constituição Cidadã consagrou que os direitos políticos serão exercidos pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos. O Estado democrático foi restabelecido, mas ainda precisamos aperfeiçoar a democracia brasileira, que ainda é neófita. Não podemos mais postergar o debate em torno de uma reforma política com a participação popular para que mais pessoas de bem possam se interessar pela vida política do País, seja através de plebiscito ou de uma assembleia nacional constituinte específica, mas que as novas regras possam receber o aval direto da sociedade.
Precisamos blindar o voto dos ataques do poder econômico, implantar o voto distrital misto, sepultar de vez o instituto da reeleição, estabelecer o financiamento público de campanha para que o pensar prevaleça sobre os interesses dos grupos econômicos. Sobretudo, não podemos perder de vista que os investimentos em educação são essenciais para que nos tornemos um País verdadeiramente soberano e independente. Somente um povo consciente e investido de conhecimento será capaz de escolher seu destino. Do contrário, viverá eternamente à deriva.
Enfim, não podemos esquecer que o processo democrático é fundamental para o fortalecimento da soberania nacional. Vote, somente através do voto que podemos fazer mudanças respeitando as divergências de pensamentos.
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