O diretor de Eventos Associativos, Recreativos e Culturais, Auditor Fiscal César Urbano Corrêa, foi quem presidiu a mesa dos trabalhos do segundo dia (26/4) do 8º Encontro Nacional de Ativos, Aposentados e Pensionistas da Unafisco. As palestras ocorreram no Salão Pacífico do Mabu Thermas Grand Resort, em Foz do Iguaçu/PR.
Uma das principais palestras da programação foi a do presidente da Unafisco Nacional, Auditor Fiscal Mauro Silva, em virtude de apresentar o tema da Conexão entre Gerações durante o Encontro Nacional.
Mauro ressaltou que as mudanças tecnológicas, sociais e ambientais ocorrem em velocidade vertiginosa, o que acaba afetando a relação entre indivíduos. “Como podemos construir pontes em diferentes gerações, como ativos novos, ativos mais experientes, aposentados mais recentes, aposentados mais antigos, aposentados pela paridade, pela média, pelo RPC, como construir essas pontes, como podemos aprender uns com os outros? Valorizar as melhores qualidades de cada um e colaborar para criar um futuro melhor para todos, às nossas famílias e para o Brasil?”
De acordo com o presidente da entidade, quem obteve êxito em sua respectiva época, na construção de pontes, em utilizar a sabedoria, ter coragem, visão de futuro e ter foco no ser humano foram estes três líderes, entre outros: Isaac Newton (físico inglês do século 19), Albert Einstein (físico alemão do século 20) e Nelson Mandela (presidente da África do Sul, século 20). Eles marcaram a história com suas contribuições científicas políticas e sociais. Esses três líderes foram de diferentes gerações, porém guardaram algo em comum: a capacidade de se conectar com as pessoas e de inspirar as gerações futuras.
Isaac Newton reconhecia a importância do conhecimento acumulado pelas gerações anteriores. É dele a frase “se vi mais longe, foi por estar de pé em ombros de gigantes.” Aqui ele expressou gratidão pelos grandes pensadores que o precederam, que serviram de base para as suas descobertas. É sabido também que ele “compartilhou seus conhecimentos com seus alunos e colegas. Incentivou-os a explorar novos campos da ciência. Newton, portanto, foi uma fonte de inspiração e admiração para gerações seguintes, que se beneficiaram de seus ensinamentos e obras.”
Albert Einstein foi um dois pais da física quântica. Ele acreditava que o conhecimento não tinha limites. Segundo Mauro Silva, o físico alemão “tinha uma profunda apreciação pelo conhecimento das gerações passadas. Suas reflexões sobre a ciência, sobre a filosofia, cultura destacam a importância de honrar e valorizar essa herança intelectual. Para ele, o conhecimento era como uma corrente contínua, transmitida de geração em geração. Para Einstein, honrar e valorizar a herança intelectual é essencial para o progresso da humanidade.”
O ativista político Nelson Mandela sofreu e lutou contra o apartheid. Tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul, em uma época de dominação e segregação naquela região. “Ele enfrentou essa violência, essa injustiça, foi condenado a 27 anos de prisão, mas saiu da cadeia com dignidade sem ódio nem rancor. Ele disse que ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, origem ou religião dela. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. Com essa frase, ele expressou a sua crença na capacidade de mudança e de reconciliação das pessoas. Mas não foi só pacificador. Foi também um transformador. Ele liderou a transformação democrática na África do Sul promovendo a igualdade da diversidade de seu país. Envolveu-se com causas humanitárias, na luta contra a pobreza, contra a fome, contra o vírus do HIV/Aids. Foi um modelo e um influenciador para as gerações posteriores que se inspiraram em sua trajetória e seu legado.”
Os três líderes viveram em épocas distintas, mas se conectaram por meio de valores universais, como liberdade, justiça, paz, valorização do ser humano, luta pelo desenvolvimento econômico e pela diminuição da desigualdade. Segundo Mauro Silva, “eles mostraram que a conexão entre as gerações não é apenas possível, mas necessária para enfrentar os desafios de nosso tempo e construir um mundo melhor, com mais dignidade humana. Eles nos convidam a reconhecer e a valorizar a sabedoria das gerações passadas. A escutar e apoiar as gerações presentes e a inspirar e a preparar as gerações futuras.”
O presidente da Unafisco Nacional enfatizou que a Receita Federal, que está com 56 anos, não se construiu sozinha. Foi construída por homens e mulheres, Auditores e Auditoras e assim seguirá. “Tem de haver uma união, uma compreensão de que, quem esteve aqui, 56 anos construindo a Receita, construiu também a sua estrutura previdenciária, remuneratória, a sua paridade, etc. Tem a ver com a compreensão de que se hoje o mundo é outro, valorizemos também o mundo de hoje construído. E vamos construir o futuro. Mas nada disso do que se tem hoje, nesses 56 anos, caiu do céu. Foi construído por mãos de Auditoras e Auditores.”
Mais dois desafios apresentados por Mauro Silva. São eles o teletrabalho e a Inteligência Artificial. O primeiro já era uma realidade em 2019, antes da Covid 19. Ninguém nega os benefícios trazidos pelo teletrabalho, sobretudo em termos de maior flexibilidade, autonomia, economia de tempo, recursos. Mas também pode gerar dificuldades. “Eu não sou contra o teletrabalho, eu sou um entusiasta, mas temos que mitigar os efeitos negativos. Temos o isolamento, o estresse, a falta de comunicação, a perda de motivação, perda de identidade com o grupo e com a organização com a qual trabalhamos. É importante que cobremos nossos Administradores da Receita. A nossa responsabilidade é de cobrar de quem está lá. É preciso gerir o teletrabalho com foco nas pessoas, considerando as características, as demandas individuais de forma a promover o bem-estar a fim de mitigar os aspectos negativos dessa nova realidade de trabalho. O foco deve ser nas pessoas e não nas metas. Não nos números que sustentam a presença de alguns Administradores.
Inteligência Artificial (IA). Ela está transformando o mundo e exigindo novas competências e habilidades profissionais. Ela pode ser uma grande aliada? Mauro Silva responde que sim. No sentido do aumento da eficiência, da qualidade e da renovação dos processos de trabalho. Mas também pode representar uma ameaça para a segurança, privacidade, ética dos trabalhadores. Além disso, a IA pode gerar desigualdades e exclusões, se não for acessível e inclusiva e respeitadora nos limites de todas as gerações. Não é uma obra da geração presente. É preciso levar gerações passadas ao desafio da IA, conforme Mauro.
“É fundamental que cobremos nossos administradores para que atuem em relação à IA de forma a aproveitá-la. Mas minimizar seus riscos notadamente quanto ao medo e a insegurança naturais que ela traz em sua implantação exageradamente acelerada, amadora e não focada no ser humano. A implantação da IA em uma visão para o futuro exageradamente acelerada desfocada das pessoas, só focada em resultados, em números, ela é exclusiva (no sentido de promover mais exclusões), e não transformadora positivamente. É preciso que haja mais investimento no ser humano, respeitando as suas especificidades. Isso para sermos usuários críticos da IA e não vítimas dela (no sentido da exclusão do trabalho, da sociedade). Há muitos empregos sendo perdidos e isso precisa ser trabalhado. Muitas ideias e postos dentro da Receita mesmo serão perdidos. Então temos que ser usuários críticos e não marginalizados pela IA e excluídos por ela. Se não fizermos isso, ela vai ser implantada de maneira excludente. Vai ser implantada de maneira a aumentar o medo e a insegurança nas pessoas em relação ao seu futuro profissional. É isso que a gente não deve permitir.”
Ao final de sua fala, Mauro Silva lança um convite. Ele nos convidou a relacionarmos a nossa vida, tanto pessoal quanto profissional com a dos três líderes supracitados. “Como eu posso me conectar com as outras gerações? Como eu posso aprender com elas? Como posso ensinar as novas gerações? Como posso contribuir com outras gerações? Como posso ser mais curioso e mais humilde como Newton, ou mais criativo, dedicado e persistente como Einstein? Ou como posso ser mais pacífico, mais magnânimo como Mandela?”
A nossa felicidade no presente e no futuro com pessoas e com Auditores Fiscais da Receita Federal depende de como atenderemos esse convite.
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