Título: Secretário da Receita adota estilo Paulo Guedes e ‘põe granada’ no bolso de Haddad
Publicação: Estadão
Autora: Roseann Kennedy
Data: 20/12/2023

Auditores fiscais de todo o País iniciaram uma espécie de motim contra a gestão do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e vão ampliar a pressão por sua renúncia. A categoria diz que ele adotou o “estilo Paulo Guedes” (ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro) e não conta mais com o respeito dos servidores. O presidente da Unafisco, Mauro Silva, disse à Coluna do Estadão que o secretário perdeu o controle da Receita e “a legitimidade de continuar à frente do órgão”.

Nesta quarta-feira, 20, 48 conselheiros do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – renunciaram. Na sequência, cerca de 60 chefes, titulares e interinos de Delegacias Regionais também anunciaram que deixariam os cargos. Além disso, os auditores estão em greve há um mês, e não aceitam a proposta de reajuste zero em 2024.

Por meio da assessoria de imprensa, o secretário disse que já garantiu aumento de bônus de R$ 3 mil para R$ 5 mil para os servidores em 2024 e não comentou a pressão por sua renúncia.

Haddad prometeu ‘tirar granada do bolso dos servidores’, mas agora tem bomba para desarmar

Os servidores manifestam insatisfação com a gestão de Barreirinhas desde o início do ano. O estopim, porém, foi a ação na Justiça para tentar impedir a greve da categoria.

“O secretário da Receita, no melhor estilo Paulo Guedes, fingiu amizade e colocou granada no bolso dos auditores”, afirmou à Coluna George Alex De Souza, diretor da Unafisco Nacional. Ele observa que agora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terá de desarmar essa bomba sob risco de não cumprir a meta fiscal em 2024, já que o serviço dos auditores é crucial na fiscalização da arrecadação.

No início do ano, Haddad havia sinalizado um reajuste ao dizer que tiraria a granada do bolso dos servidores. A declaração de Haddad fazia referência à fala do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que disse em 2020 que o governo havia colocado “a granada no bolso do inimigo” ao aprovar durante a pandemia um congelamento salarial para as carreiras do funcionalismo.

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